terça-feira, 16 de novembro de 2010

Os dois corações

DEVOÇÃO AOS DOIS CORAÇÕES UNIDOS

A situação que lhe vou descrever passou-se há alguns anos atrás, no tempo da minha vida universitária. Eu costumava vir passar os fins-de-semana (onde neste momento resido) viajando de trem, às sextas-feiras, e regressava no domingo à noite ou na segunda-feira seguinte.
Ora, o trem partia por volta das 14h35m. Ao lado da estação há uma Igreja onde é costume às sextas-feiras colocarem Jesus Sacramentado para adoração.
Como, em geral, chegava antes da partida do comboio, aproveitava o tempo e fazia uns momentos de adoração nessa Igreja.
Num desses dias, em que estava em oração, uma mulher tentou entregar-me uma pagela. Eu, como estava concentrado e ajoelhado perto do altar onde Jesus estava exposto, não liguei, achei até indelicado perturbar-me, mas ela foi rápida em insistir para que pegasse na pagela, pois, segundo ela, tinha sido Nosso Senhor e Nossa Senhora, que lhe mandou entregar-ma. Eu sorri para mim, e como não fazendo grande caso, e talvez mais para despachar, estendi a mão, sem olhar para a mulher, e peguei na pagela. Ela imediatamente me deixou, e eu continuei a minha adoração. Passados alguns momentos, saí do lugar onde estava ajoelhado e dirigi-me à estação para apanhar o comboio, levando comigo a pagela.
Amigo Arnaldo, eu digo que foi uma mulher que me entregou a pagela, porque a voz era de uma mulher, pois, eu não cheguei a olhar para ela. Nem sequer sei como estava vestida, se era alta, baixa ou a sua idade. No momento não quis olhar para ela, apenas estendi a mão e tudo se passou muito rápido.
É normal encontrar nesses lugares, por vezes algumas pessoas piedosas que distribuem pagelas, com Nosso Senhor, Sagrado Coração, Nossa Senhora, São José, etc. Essas pequenas pagelas são pequenas brochuras com imagens e, geralmente, trazem pequenas orações.
O que achei estranho, foi o fato da mulher ter dito mais que uma vez, no momento em que me entregava, que tinha sido Nosso Senhor e Nossa Senhora a mandá-la. Outra coisa que achei estranho, foi o fato de estarem na Igreja outras pessoas e ela só se ter dirigido a mim (não percebi que essa senhora tivesse andado a distribuir essas pagelas a outras pessoas que se encontravam na Igreja, embora pudesse acontecer sem eu ter reparado).
Ora, essa senhora que com certeza se tratava de alguém piedosa, não sei se falou verdade ou mentira. Se mentiu ao dizer que tinha sido Nosso Senhor e Nossa Senhora, eu percebo, pois, com certeza quis que eu pegasse na brochura com rapidez, e essa foi a maneira que ela encontrou para me convencer e se despachar rapidamente.
Se falou verdade, a situação é mais complexa. Tanto que eu não acreditei (pelo menos a 100%). Nesse caso errei, primeiro não acreditando a 100%, e segundo, não tentando compreender o significado de tal ato.
Em primeiro lugar desejaria saber se a mulher falou verdade ou mentira, e em segundo lugar (no caso de ter falado verdade) o significado de tudo isso. Este relato foi passado ao Sr.º Cláudio, que colocou em oração. Passados alguns dias veio a resposta do Céu:

Filhinho (o meu nome), é verdade! Jesus te convida! E o anjo te entregou o convite! Amém? Deus seja Louvado!
Maria, Mãe do Universo.

Fiquei surpreendido com a resposta. Eis o conteúdo da pagela:

A primeira página contém a imagem de Jesus e de Nossa Senhora, com os seus Santíssimos Corações.

Por baixo da imagem tem a inscrição:
“DEVOÇÃO AOS DOIS CORAÇÕES UNIDOS”
e depois a frase: «O mundo será salvo pelos Nossos Dois Corações Unidos».

Na página seguinte lê-se:

“Em Kérizinen, na Bretanha (NW de França) N.ª Sr.ª do Rosário apareceu 71 vezes a uma pobre camponesa, Jeanne-Louise Ramonet, entre 15/9/1938 e 1/10/1965. A partir de 1/10/1955, o Coração de Jesus veio juntar-se a Sua Mãe, e sucederam-se as Aparições dos dois Corações Unidos, ambos cobertos de chagas e ligados por uma mesma espada, e envolvidos nos mesmos raios luminosos. Do Coração de Jesus saíam dois raios, um vermelho e outro pálido, símbolo do Sangue e da Água que brotam do seu Coração na Cruz, ao ser trespassado pela lança do soldado, como Fonte de Misericórdia para todos.

Para além dos urgentes apelos à oração, à recitação do Terço meditado, á penitência, à conversão, à intensificação do culto eucarístico, Jesus e Maria pediram a pintura da Imagem dos dois Corações Unidos, e a Consagração aos Dois Corações Unidos.

A Imagem: Em 16/2/1957, disse N.ª Sr.ª:

«… O triunfo do duplo Reino dos Nossos Corações, inseparavelmente unidos no Espírito Santo, será o grande e doce acontecimento que se seguirá aos castigos que purificarão o mundo. Mas a fim de que se deseje e apele este duplo Reino de amor peço que se mande fazer a imagem dos Nossos dois Corações, assim unidos e ligados; porque sendo muito pouco numerosos os verdadeiros apóstolos, é necessário um remédio divino, nestes tempos de sensualidade e de ódio a Deus e à Igreja.

Este remédio: a devoção aos Nossos Corações Unidos. Será o testemunho da Misericórdia que daremos ao mundo nestes últimos tempos. As almas que contemplarem a imagem dos Nossos Corações participarão nos Nossos sofrimentos e sentirão a necessidade de amar e reparar. Obterão a salvação de muitas almas; serão fortificadas na Fé, sempre prontas para a defender e para ultrapassar todas as dificuldades interiores e exteriores. Além disso terão, com a minha ajuda, uma morte serena, sob o doce olhar do Meu Divino Filho».

A Consagração: Na 1.ª Aparição dos Dois Corações em 1/10/1955, disse N.ª Sr.ª:
«… Sim, os tempos são graves. As nações e os governos coligaram-se contra Deus e contra Cristo … Mas, para salvar estas nações sem base, estes povos em derrocada, peço que o mundo seja de novo consagrado, mas desta vez aos Nossos dois Corações Unidos. Oh, sim! Que as vossas famílias, as vossas nações, o mundo inteiro, sejam consagrados, mas numa mesma consagração, ao Coração Sagrado e Misericordioso de Jesus e ao Meu Coração Doloroso e Imaculado: aos Nossos Dois Corações Unidos no Espírito Santo.

Esta Consagração, dum amor reparador, transformará as chagas dos Nossos Corações em fontes de vida, permitindo-nos voltar como conquistadores para esta Terra transtornada, dominar a tempestade e dissipar, com um gesto soberano, os numerosos apóstatas que, com uma raiva infernal, procuram destruir a Fé e fazer desaparecer tudo o que é de Deus … E o mundo, irremediavelmente votado à ruína, será salvo. Sim, o mundo será salvo pelos Nossos Dois Corações Unidos.

Estes dois Corações, unidos nos mesmos sofrimentos, triunfarão numa mesma realeza. Mas esta realeza só será universal se for primeiro interior, dentro dos vossos corações. É dentro de vós, no santuário secreto das vossas almas, que Nós queremos estabelecer a base da Nossa realeza Divina, que será de misericórdia, de luz e de amor, e que trará à Terra uma brisa celeste de inefável Paz».

Em seguida, a pagela, contém a fórmula de Consagração aos Corações Unidos de Jesus e Maria, composta pelo Rev.º Padre Dr. Guérard des Lauriers, O.P., Prof. De Filosofia em Latrão, e com aprovação eclesiástica do Vicariato de Roma, em 14/6/1969).

Sagrado coração de Jesus
Conta Santa Margarida-Maria Alacoque, a grande confidente do Sagrado Coração de Jesus, na sua autobiografia:
“Nas primeiras sextas-feiras de cada mês, era-me representado aquele Sagrado Coração como sol brilhante de luz vivíssima, lançando seus raios ardentíssimos a prumo sobre o meu coração, que logo se sentia abrasado de fogo tão ardente, que parecia reduzir-me a cinzas; era particularmente nessa ocasião que o meu divino Mestre me mostrava o que ele de mim queria, e me descobria os segredos daquele amável Coração.

Uma vez, entre outras, quando estava o Santíssimo exposto, depois de me ter sentido retirada dentro de mim mesma, com um recolhimento muito grande de todos os meus sentidos e potências, Jesus Cristo, meu doce Mestre, apareceu-me todo radiante de glória com suas cinco chagas, brilhantes como cinco sóis; e a sua sagrada humanidade lançava chamas de todos os lados, mas sobretudo de seu sagrado peito, que parecia uma fornalha: abrindo-o, descobriu-me seu amantíssimo e amabilíssimo Coração, que era a fonte viva daquelas chamas. Foi então que ele me mostrou as maravilhas inexplicáveis do seu puro amor, e o excesso a que tinha chegado em amar os Homens, de quem não recebia senão ingratidões e friezas.”

«Isto – disse-me ele -, custa-me muito mais do que tudo quanto sofri na minha paixão; tanto que, se eles me correspondessem com um poucochinho de amor, teria eu em pouco tudo quanto fiz por eles, e quisera ainda fazer mais, se possível fosse; contudo não têm senão friezas e repulsas para todo este meu afã de lhes fazer bem. Mas ao menos tu dá-me esse gosto de suprires pela ingratidão deles, quanto puderes e fores capaz». E representando-lhe eu a minha incapacidade, respondeu-me: «Toma, aí tens com que suprir tudo o que te falta».

E ao mesmo tempo, abrindo-se aquele Divinho Coração, saiu dele tão ardente chama, que eu pensei que me ia consumir, porque toda me penetrou, e já não a podia aguentar; por isso lhe pedi que tivesse compaixão da minha fraqueza. «Eu serei a tua força, disse-me ele; não tenhas receio, mas atende à minha voz e ao que eu te pedir, para te dispores ao cumprimento de meus designos.

Primeiramente me hás-de receber no SS. Sacramento, sempre que a obediência to quiser conceder, por mais mortificações e humilhações que daí te hajam de vir. Deves recebê-las como penhores do meu amor. E, além disso, hás-de comungar todas as primeiras sextas-feiras de cada mês; e todas as noites de quinta para sexta-feira far-te-ei participar daquela mortal tristeza que eu quis sentir no Horto, tristeza que te há-de reduzir a uma espécie de agonia mais angustiosa que a morte».

«E para me acompanhares na humilde oração que eu então apresentei a meu Pai, no meio de todas as minhas angústias, levantar-te-ás entre as onze horas e a meia-noite, para comigo te prostrares durante uma hora, com o rosto por terra, assim para aplacar a ira Divina, pedindo misericórdia para os pecadores, como para adoçar de alguma maneira a amargura que eu sentia com o desamparo em que me deixavam meus apóstolos, o qual me obrigou a lançar-lhes em rosto não terem podido velar uma hora comigo. E nessa hora farás tudo o que eu te ensinar».

Entre as muitas e ricas promessas que Jesus Cristo fez aos que fossem devotos de seu Sagrado Coração, sempre chamou a atenção a que fez aos que comungassem em sua honra as nove primeiras sextas-feiras do mês seguidos. É tal, que todos a conhecem com o nome da Grande Promessa.
Eis aqui a promessa:
Uma Sexta feira, durante a Sagrada Comunhão, disse estas palavras a sua devota serva:
"Eu te prometo, na excessiva misericórdia de meu Coração, que meu amor todo poderoso concederá a todos os que comungarem nove primeiras sextas feiras do mês seguidos a graça final da penitência; não morrerão em pecado nem sem receber os sacramentos, e meu divino Coração lhe será asilo seguro naquele último momento".
O que é necessário fazer para obter esta graça:
Comungar nove primeiras sextas-feiras do mês seguidos em graça de Deus, com intenção de honrar ao Sagrado Coração de Jesus:
Imaculado Coração de Maria
Conta a Irmã Lúcia, no seu livro de memórias:

“No dia 17-12-1927, fui junto do Sacrário perguntar a Jesus como satisfaria o pedido que lhe era feito, se a origem da devoção ao Imaculado Coração de Maria estava encerrada no segredo que a SS. Virgem me tinha confiado.
Jesus com voz clara, fez-me ouvir estas palavras:
- Minha filha, escreve o que te pedem; e tudo que te revelou a SS. Virgem, na aparição em que falou dessa devoção, escreve-o também, quanto ao resto do segredo, continua o silêncio.
O que em 1917 foi confiado a este respeito é o seguinte: eu pedi para nos levar para o Céu. A SS. Virgem respondeu:
- Sim; a Jacinta e o Francisco levo-os em breve, mas tu ficas cá mais algum tempo. Jesus quer servir-se de ti para Me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no Mundo a devoção ao Meu Imaculado Coração. A quem a abraçar, prometo a salvação, e serão queridas de Deus estas almas, como flores postas por Mim a adornar o SEU trono.
- Fico cá sozinha? – disse com tristeza.
- Não, filha. Eu nunca te deixarei. O Meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzira até Deus.

No dia 10-12-1925, apareceu-lhe a SS. Virgem e, ao lado, suspenso em uma nuvem luminosa, um Menino. A SS. Virgem, pondo-lhe no ombro a mão e mostrando, ao mesmo tempo, um coração que tinha na outra mão, cercado de espinhos.
Ao mesmo tempo, disse o Menino:

_ Tem pena do Coração de tua SS. Mãe que está coberto de espinhos que os Homens ingratos a todos os momentos lhe cravam sem haver quem faça um ato de reparação para os tirar.

Em seguida, disse a SS. Virgem:
- Olha, minha filha, o Meu Coração cercado de espinhos que os Homens ingratos a todos os momentos Me cravam, com blasfémias e ingratidões. Tu, ao menos, vê de me consolar e diz que todos aqueles que durante cinco meses seguidos, ao 1º sábado, se confessarem, recebendo a Sagrada Comunhão, rezarem um Terço e Me fizerem 15 minutos de companhia, meditando nos 15 mistérios do Rosário, com o fim de me desagravar, Eu prometo assistir-lhes, na hora da morte, com todas as graças necessárias para a salvação dessas almas.

No dia 15-2-1926, apareceu-lhe, de novo, o Menino Jesus. Perguntou se já tinha espalhado a devoção a Sua SS. Mãe. Ela expôs-lhe as dificuldades que tinha o confessor e que a madre superiora estava pronta a propagá-la, mas que o confessor tinha dito que ela, só, nada podia. Jesus respondeu:

É verdade que a tua superiora, só nada pode; mas, com a Minha graça, pode tudo. E basta que o teu confessor te dê licença e a tua superiora o diga, para que seja acreditado, até sem se saber a quem foi revelado.

- Mas o meu confessor dizia na carte que esta devoção não fazia falta no mundo, porque já havia muitas almas que vos recebiam, aos 1.º sábados, em honra de Nossa Senhora e dos 15 Mistérios do Rosário.

- É verdade, minha filha, que muitas almas os começam, mas poucas os acabam e as que os terminam é com o fim de receberem as graças que aí estão prometidas; e me agradam mais as que fizerem os 5 com fervor e com o fim de desagravar o Coração da Tua Mãe do Céu, que as que fizerem os 15, tíbios e indiferentes …
Apresentou a Jesus a dificuldade que tinham algumas almas em se confessar ao sábado e pediu para ser válida a confissão de 8 dias. Jesus respondeu:

- Sim, pode ser de muitos mais, contando que, quando Me receberem, estejam em graça e que tenham a intenção de desagravar o Imaculado Coração de Maria.
Ela perguntou:

- Meu Jesus, as que se esqueceram de formar essa intenção?
Jesus respondeu:

- Podem formá-la na outra confissão seguinte, aproveitando a 1.ª ocasião que tiverem de se confessar.

Um confessor de Lúcia havia perguntado um dia o porquê do número cinco.

«Minha filha, o motivo é simples: são cinco as espécies de ofensas e blasfémias proferidas contra o Imaculado Coração de Maria:

1.ª – As blasfémias contra a Imaculada Conceição.

2.ª – Contra a sua virgindade.

3.ª – Contra a Maternidade Divina, recusando ao mesmo tempo, recebê-la com Mãe dos Homens.

4.ª – Os que procuram publicamente infundir, nos corações das crianças, a indiferença, o desprezo e até o ódio para com esta Imaculada Mãe.

5.ª – Os que A ultrajam diretamente nas Suas sagradas imagens.
Conta Lúcia nas suas memórias, que Jacinta pouco tempo antes de ir para o hospital, lhe disse:
" Já me falta pouco para ir para o Céu. Tu ficas cá para dizeres que Deus quer estabelecer no Mundo a devoção do Imaculado Coração de Maria. Quando for para dizeres isso, não te escondas. Diz a toda a gente que Deus nos concede as graças por meio do Imaculado Coração de Maria; que lhas peçam a Ela; que o Coração de Jesus quer que, a seu lado, se venere o Coração Imaculado de Maria; que peçam a paz ao Imaculado Coração de Maria, que Deus lha entregou a Ela. Se eu pudesse meter no coração de toda a gente o lume que tenho cá dentro no peito a queimar-me e a fazer-me gostar tanto do Coração de Jesus e do Coração de Maria."
CONSAGRAÇÃO DIÁRIA AOS DOIS CORAÇÕES:
Sacratíssimos Corações de Jesus e de Maria, a vós me consagro, assim como a toda minha família. Consagramos a vós nosso próprio ser, toda a nossa vida, tudo o que somos, tudo o que temos e tudo o que amamos. A vós dedicamos nosso lar e nosso país. Conscientes de que, através desta consagração, nós agora, estamos vos prometendo viver cristãmente, praticando as virtudes de nossa religião sem nos envergonharmos de praticar a fé. Ó Sacratíssimos Corações de Jesus e de Maria, por favor, aceitai esta humilde oferta de cada um de nós, através deste ato de consagração. Nossa esperança é colocada em Vós na certeza de que jamais seremos confundidos. Ó Sacratíssimo Coração de Jesus, tende misericórdia de nós. Ó Imaculado Coração de Maria, sede a nossa salvação. Amém!

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