quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
O Purgatório, segundo São João Bosco
n/d
Ontem à noite, meus caros filhos, havia-me deitado e, não conseguindo adormecer logo, estava pensando na natureza e no modo de existir da alma; como ela era feita; de que modo poderia encontrar-se e falar na outra vida, estando separada do corpo; como faria para trasladar-se de um lugar a outro; como nos poderemos conhecer uns aos outros depois de mortos, não sendo senão puros espíritos. E quanto mais pensava nessas coisas, mais obscuro me parecia tal mistério.
Enquanto divagava por essas idéias e outras semelhantes, adormeci, e me pareceu que estava na estrada que conduz a … (e nomeou a cidade) e que caminhava naquela direção. Andei durante algum tempo, atravessei lugares para mim desconhecidos, até que, em certo momento, ouvi que alguém chamava pelo nome. Era a voz de uma pessoa parada na estrada.
- Vem comigo – disse – e poderás ver logo o que desejas!
Obedeci imediatamente. Mas a tal pessoa andava com a rapidez do pensamento, e eu no mesmo passo que meu guia. Andávamos de maneira tal que nossos pés nem tocavam o solo. Chegados por fim a uma certa região que eu desconhecia, o guia parou. Erguia-se sobre uma preeminência do terreno um magnífico palácio de construção admirável. Não sabia onde estava, nem sobre que montanha; nem me recordo mais se estava realmente sobre uma montanha ou se estava no ar, sobre nuvens. Era inacessível e não se via caminho algum para poder chegar até ele. Suas portas eram de considerável altura.
- Sobe a esse palácio – me disse o guia.
- Como vou fazer? – observei eu – como fazer para subir? Aqui por baixo não há entrada, e não tenho asas.
- Entra! – replicou ele com autoridade. E, vendo que eu não me movia, disse:
- Faz como eu: levanta os braços com boa vontade e subirás. Vem comigo.
E assim dizendo, levantou ao alto as mãos, dirigindo-as para o céu. Eu também abri os braços, e me senti num só instante alçado pelos ares como uma nuvenzinha. Eis que chego aos umbrais do palácio. O guia me acompanhara até lá.
- Que há aqui dentro? – perguntei.
- Entra, visita-o e verás. No fundo, num salão, encontrarás quem te ensinará.
E desapareceu, ficando eu só, como guia de mim mesmo.
Entrei no pórtico, subi as escadas e cheguei a um salão verdadeiramente régio. Percorri salas espaçosas, aposentos riquíssimos de ornamentos e longos corredores. Caminhava com velocidade acima da natural.
Cada sala brilhava com magnificência de tesouros espantosos, e naquela velocidade percorri tantos aposentos que me foi impossível contá-los.
Mas uma coisa era mais admirável: para correr com a rapidez do vento, eu não movia os pés; suspenso no ar com as pernas juntas, deslizava sem esforço como sobre um cristal, mas sem tocar o pavimento.
Passando assim de um aposento a outro, vi finalmente no fundo de um corredor uma porta. Entrei e me encontrei num salão grande, que superava em magnificência a todos os demais. No fundo dele, sobre uma cadeira de espaldar alto, avistei um Bispo, majestosamente sentado, em posição de quem se prepara para dar audiência. Aproximei-me com respeito e fiquei admiradíssimo por reconhecer naquele prelado um íntimo amigo meu, Era Dom … (e disse o nome), Bispo de …, falecido havia dois anos. Parecia nada sofrer. Seu aspecto era radiante, afetuoso e de tão grande beleza que nem sequer poderia exprimir.
- Oh! Senhor Bispo, vós por aqui? – perguntei, com grande alegria.
- Não me vê? – respondeu o Bispo.
- Mas, como isso? Ainda estais vivo? Não morrestes?
- Sim, morri.
- Se morrestes, como é que estais sentado aqui tão radiante e satisfeito? Se ainda estais vivo, por caridade, esclarecei-me: na diocese de … há já um outro Bispo, Dom …, em vosso lugar. Como é que se esclarece essa confusão?
- Esteja tranqüilo; não se preocupe que já estou morto…
- Ainda bem que já está um outro em vosso lugar.
- Sei disso. E o Sr., Dom Bosco, está vivo ou está morto?
- Eu estou vivo. Não vedes que estou aqui em corpo e alma?
- Aqui não se pode vir com o corpo.
- Mas, sem embargo, aqui estou.
- É o que lhe parece; mas não é assim…
Eu me apressava em falar-lhe, fazendo perguntas e mais perguntas, sem receber resposta alguma.
- Como pode ser que eu, que estou vivo, esteja aqui convosco, Senhor Bispo, que já morrestes?
Tinha medo de que o Bispo desaparecesse, pelo que lhe roguei:
- Senhor Bispo, por caridade, não me deixeis. Necessito saber muitas coisas. Dizei-me, Senhor Bispo, salvastes vossa alma?
O Bispo, vendo-me tão ansioso, disse: – Não se aflija tanto e fique calmo, que não fugirei. Pode falar.
- Dizei-me, Senhor Bispo, estais salvo?
- Olhe-me; observe como estou robusto, cheio de louçania e brilho.
Seu aspecto me dava realmente a certeza de que estava salvo; mas, não me contentando com essa impressão, repliquei:
- Dizei-me se estais salvo, sim ou não.
- Sim, estou em lugar de salvação.
- Mas já estais no Paraíso, gozando do Senhor? ou no Purgatório?
- Estou em lugar de salvação, mas ainda não vi a Deus e ainda necessito de que reze por mim.
- E quanto tempo ainda devereis estar no Purgatório?
- Olhe aqui e leia! – disse, apresentando-me uma folha de papel.
Tomei na mão o papel; observei atentamente, mas, nada vendo escrito, disse-lhe:
- Nada vejo!
- Veja bem o que nele está escrito e leia!
- Já olhei com atenção e estou olhando novamente, mas nada posso ler porque nada há escrito aqui.
- Veja com mais atenção!
- Vejo um papel com floreados vermelhos, azuis, verdes, cor de violeta, mas não encontro letra alguma.
- São algarismos.
- Não vejo letras nem números.
O Bispo olhou o papel que eu tinha nas mãos e disse:
- Já sei porque o Sr. não vê nada; vire o papel ao contrário.
Examinei a folha com maior atenção, virei-a de to dos os lados; mas nem de um lado nem do outro nada consegui ler. Somente me pareceu ver, entre uma infinidade de traços e desenhos, o número 2.
- O Sr., Dom Bosco, sabe por que é necessário ler ao contrário? – continuou o Bispo – É porque os juízos do Senhor são completamente distintos dos do mundo. O que os homens julgam sabedoria é tolice aos olhos de Deus.
Não tive coragem de insistir para que explicasse mais claramente, e disse:
- Senhor Bispo, não vos afasteis; quero perguntar-vos mais coisas.
- Pois pergunte, que lhe escuto.
- Eu me salvarei?
- Deve ter esperança nisso.
- Não me façais sofrer; dizei-me logo se me sal varei.
- Não sei.
- Pelo menos dizei-me se estou na graça de Deus.
- Não sei.
- E meus meninos, salvar-se-ão?
- Não sei.
- Mas, por favor, dizei-me, estou implorando.
- O Sr. estudou Teologia e portanto pode saber, pode dar-se a esposta a si mesmo.
- Mas, como? Estais em lugar de salvação e ignorais essas coisas?
- O Senhor as dá a conhecer a quem quer; e quando quer que elas sejam comunicadas, dá ordem e permissão para tal. A não ser assim, ninguém pode comunicá-lo aos que ainda vivem.
Eu me achava nervoso, na impaciência de fazer mais perguntas, e as fazia apressadamente, com temor de que o Senhor Bispo se retirasse.
- Dizei-me algo para transmitir de vossa parte aos meus meninos.
- O Sr. sabe tanto quanto eu o que devem fazer. Tendes a Igreja, o Evangelho e as outras Escrituras que tudo vos dizem. Diga-lhes que salvem suas almas, pois tudo o mais de nada serve.
- Já sabemos que devemos salvar a alma. Mas, que devemos fazer para salvá-la? Dê-me alguma recomendação especial para poder salvá-la, e que nos faça recordar de vós. Eu o repetirei aos meus rapazes em vosso nome.
- Diga-lhes que sejam bons e sejam obedientes.
- Quem é que não sabe essas coisas?
- Diga-lhes que sejam puros e que rezem.
- Mas, explicai-vos em termos mais concretos.
- Diga-lhes que se confessem com freqüência e façam boas confissões.
- Alguma outra coisa ainda mais concreta…
- Direi, já que quer. Diga-lhes que têm diante dos olhos uma neblina, e que quando alguém chega a vê-la já está muito adiantada. Que afastem essa neblina, como se lê nos Salmos: Nubem dissipa.
- Que neblina é essa?
- São todas as coisas mundanas, que impedem de ver as coisas celestiais como de fato são.
- E que devem fazer para afastar essa neblina?
- Considerem o mundo exatamente como ele é: Mundus totus in maligno positus est [mundo está todo posto no maligno]; e então salvarão a alma. Que não se deixem enganar pelas aparências do mundo. Os jovens crêem que os prazeres, as alegrias, as amizades do mundo, podem fazê-los felizes e, portanto, não esperam se não o momento de poder gozar desses prazeres. Mas recordem-se de que tudo é vaidade e aflição de espírito, e tomem o hábito de ver as coisas do mundo não como elas parecem, mas como realmente são.
- E essa neblina, como é principalmente produzida?
- Assim como a virtude que mais brilha no paraíso é a pureza, assim a obscuridade e a neblina são produzidas principalmente pelo pecado de imodéstia e impureza. É como uma negra nuvem densíssima que tolda a visão e impede os jovens de verem o precipício rumo ao qual caminham. Diga-lhes, portanto, que conservem zelosamente a virtude da pureza, porque os que a possuem florebunt sicut lilium in civitate Dei [florescerão como o lírio na cidade de Deus].
- E que se requer para conservar a pureza? Dizei-me, e o direi aos meus caros jovens de vossa parte.
- Recolhimento, obediência, fuga do ócio e oração.
- E que mais?
- Oração, fuga do ócio, obediência e recolhimento.
- Nada mais?
- Obediência, recolhimento, oração e fuga do ócio. Recomende-lhes estas coisas, que elas são suficientes.
Teria querido perguntar-lhe muitas coisas mais, porém não me vinham à lembrança. Assim é que, mal o Bispo terminou de falar, impaciente para vos transmitir aqueles avisos deixei apressadamente o salão e corri para o Oratório. Voava com a rapidez do vento, e num instante encontrei-me na porta de casa. Mas, ao chegar, parei e pensei:
- Por que não permaneci mais tempo com o Senhor Bispo de… Teria conseguido ainda melhores esclarecimentos. Fiz mal em deixar escapar uma ocasião tão boa. Teria aprendido muitas coisas interessantes.
E imediatamente voltei atrás com a mesma rapidez com que tinha vindo, temeroso de não mais encontrar o Senhor Bispo. Entrei novamente no palácio e no salão.
Mas, que mudança se havia operado em poucos instantes! O Bispo, pálido como cera, estava estendido sobre um leito e parecia um cadáver; em seus olhos brilhavam ainda suas últimas lágrimas; estava em agonia. Só pelo ligeiro movimento do peito, produzido pelos últimos alentos, se deduzia que ainda estava vivo. Aproximei-me com grande preocupação e perguntei:
- Senhor Bispo, que vos aconteceu?
- Deixe-me! – respondeu com um gemido.
- Teria ainda muitas coisas que vos perguntar.
- Deixe-me só! Sofro imensamente.
- Que posso fazer por vós?
- Reze e deixe-me ir embora!
- Para onde?
- Para onde me conduz a mão onipotente de Deus.
- Mas, Senhor Bispo, rogo-vos que me digais o local.
- Sofro imensamente, deixe-me.
Eu repetia: – Mas ao menos dizei-me: que posso fazer por vós?
-Reze por mim.
-Uma só palavra: tendes algum encargo que eu possa fazer-vos no mundo? Não quereis dizer nada para vosso sucessor?
-Vá ao atual Bispo de… e diga-lhe, de minha par te, tal e tal coisa…
As coisas que me disse não vos interessam, queridos jovens, e por isso as omito.
O Bispo acrescentou:
- Diga também a tais e tais pessoas, tais e tais coisas secretas…
(Também sobre esses recados Dom Bosco se calou. Mas tanto as primeiras quanto as segundas, parece que se referem a avisos e remédios com respeito à sua antiga diocese.)
-Nada mais?
- Diga a seus jovens que eu sempre os quis muito bem, e que enquanto vivi sempre rezei por eles; ainda agora me recordo deles. Que rezem eles por mim.
-Tende certeza, Senhor Bispo, de que assim o direi. E começaremos imediatamente a oferecer sufrágios por vossa alma. Mas quando o Senhor Bispo estiver no Paraíso, lembre-se de nós.
O Bispo tinha tomado um aspecto ainda mais sofre- dor. Era um tormento vê-lo. Sofria muitíssimo. Era uma agonia das mais angustiosas.
- Deixe-me – repetiu – deixe-me que vá para onde o Senhor me chama.
- Senhor Bispo! Senhor Bispo! – repetia eu cheio de indizível compaixão.
- Deixe-me! Deixe-me!
Parecia que expirava. Uma força invisível o arrastou dali para habitações mais interiores, de modo que desapareceu.
Eu, com tanto sofrer, assustado e comovido, quis voltar atrás; mas, tendo batido com o joelho num objeto qualquer daquelas salas, acordei e me encontrei de repente deitado no meu quarto.
Como vedes,jovens, este é um sonho como todos os outros sonhos; e no que se refere a vós, não tendes necessidade de explicações, porque todos o entendestes bem.
E Dom Bosco Concluiu a narração dizendo:
Neste sonho aprendi tantas coisas a respeito da alma e do Purgatório como antes jamais havia chegado a compreender; e as vi tão claramente que jamais as esquecerei.
Assim termina a narração de nossos apontamentos.
Parece que em dois quadros distintos o Venerável Dom Bosco quis expor o estado de graça das almas do Purgatório e seus sofrimentos expiatórios.
Nenhum comentário fez acerca do estado daquele bom Bispo. Sabe-se, aliás, por revelações digníssimas de fé e pelo testemunho dos Santos Padres, que pessoas de santidade consumada, lírios de virginal pureza, carregados de méritos, fazedores de milagres que nós hoje veneramos nos altares, por defeitos ligeiríssimos deve ram permanecer um tempo até prolongado no Purgatório. A Justiça Divina quer que, antes de entrar no Céu, cada um pague até a última parcela de suas dívidas.
Nós que escrevemos isto, tendo perguntado algum tempo depois a Dom Bosco se havia executado os encargos recebidos daquele Prelado, com a confiança com que nos honrava, respondeu-nos:
Sim, executei fielmente o que me recomendou.
Observaremos também que a pessoa que transcreveu o sonho omitiu uma circunstância que nós recordamos, talvez porque então não entendia seu sentido e importância.
Dom Bosco havia perguntado a certa altura quanto tempo ainda viveria, e o Bispo lhe havia apresenta do um papel cheio de rabiscos entrecruzados parecidos com o número 8, mas sem dar explicação alguma desse mistério..
Indicaria o ano de 1888?16
São João Bosco começou por chamar Oratório, ou Oratório festivo, às reuniões que fazia para os jovens nos domingos e dias de festa. Nessas reuniões rezava com os rapazes, dava catequese, ministrava os Sacramentos e proporcionava sadia recreação. Com o passar do tempo, por extensão, Oratório passou a designar o local de Turim em que o Santo estabeleceu sua obra.
Na Itália, o tratamento respeitoso de Don (de Dominus, isto é, senhor) é dado habitualmente aos sacerdotes seculares.
No Oratório, chamava-se “Boa Noite” a alocução, geralmente breve, que São João Bosco costumava fazer no término do dia. Tal costume permanece até hoje nas casas salesianas.
Da narrativa de São João Bosco pode-se talvez depreender que, neste caso concreto, não se tratou de sonho, mas de uma visão sobrenatural. Em sua humildade, o Santo teria procurado, com as frases que acabamos de ler. ocultar o verdadeiro caráter da revelação recebida.
Giovanni Cagliero nasceu em Casteinuovo d’Asti, em 1838. Foi um dos primeiros discípulos de São João Bosco. Chefiou a primeira missão apostólica salesiana na Argentina (1875). Foi feito Bispo em 1884, Arcebispo em 1909 e por fim, em 1915, Cardeal. Faleceu em Roma, em 1926. Tinha notável talento musical e chegou a com por várias peças sacras de valor.
São Domingos Sávio, aluno de São João Bosco, nascido em Riva di Chieri, em 1842, faleceu com 15 anos incompletos, em 1857, deixando fama de eminente santidade. Foi beatificado em 1950 e canonizado em 1954.
O Padre Vittorio Alasonatti (1812-1865) já era sacerdote quando ingressou no Oratório. Até sua entrada, em 1854, Dom Bosco era o único sacerdote da casa. Auxiliou Dom Bosco, especialmente na área administrativa, tendo sido o primeiro Ecônomo e Prefeito do Oratório. Faleceu deixando fama de grande virtude.
O Padre Giovanni Battista Lernoyne (1839-1916) foi secretário e biógrafo de São João Bosco. Planejou e em grande parte executou as monumentais Memorie Biografiche di Don Giovanni Bosco, em 19 volumes.
Em nota ao pé de página o compilador das Memórias Biográficas explica melhor esse parágrafo: “Em outros termos, [Dom Bosco] quer dizer: Quando, por vontade divina, uma alma separada do carpa aparece diante de vós, ela se apresenta a assoa olhos com a forma exterior do corpo que foi por ela informado, e por essa razão é que te parece que eu tenha mãos, pés, cabeça etc.”
As Memórias Biográficas registram seus nomes: os jovens Giovanni Briatore, Vinorio Strolengo, Stefano Mazzoglio, Natale Garota, Antonio Bognati e Luigi Boggiatto, e os clérigos Michele Giovannetti e Carlo Becchio (este falecido no último dia do ano).
Alguns fenômenos místicos extraordinários por vezes produzem, nas almas escolhidas que os recebem, sensações dessas. Fica, entre tanto, claro pelo desenrolar da narrativa, que esse personagem, apesar dos efeitos desagradáveis ligados à sua presença, é um verdadeiro amigo de São João Bosco, possivelmente seu Anjo da Guarda.
O Beato Michele Rua, nascido em Turim, em 1837 e falecido na mesma cidade, em 1910, foi o primeiro sucessor de São João fosco, cuja obra ampliou e propagou por muitos países. De tal forma Dom Rua se identificou com o espírito de seu fundador que – diziam os contemporâneos – era “un altro Don Bosco”. Foi beatificado em 1972.
O Padre Giovanni Battista Francesia (1838-1930) foi dos mais antigos e mais ativos discípulos de São João Bosco. Eminente latinista, lecionou nos primeiros seminários salesianos. Foi o último dos salesianos da primeira geração a falecer.
Possível alusão a algum episódio de outro sonho, ou talvez alusão ao Evangelho de São João: “Como a vara não pode por si mesma dar fruto se não permanecer na videira, assim também vós se não permanecerdes em Mim. Eu sou a videira e vós as varas, O que permanece em Mim e Eu nele, esse dá muito fruto, porque sem Mim nada podeis fazer Se alguém não permanecer em Mim será lançado fora com a vara, e secará, e enfeixá-lo-âo, e o lançarão no fogo, e arderá” (15,4-8).
Essas palavras do Padre Lemoyne não se referem somente ao sonho de sobre o Inferno, mas também a outros relatos que São João Bosco fizera em 1869, e que foram objeto dos capítulos anteriores do mesmo volume das Memórias Biográficos.
1888 foi o ano do falecimento de São João Bosco.
Fonte: Dominus Est
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
Profecias de Abba Pambo
Vou lhe contar uma coisa, meu filho, os últimos dias chegarão quando os cristãos adicionarem, removerem e alterarem os livros dos Santos Evangelistas, dos Santos Apóstolos, dos Divinos Profetas e dos Santos Padres. Eles abrandarão as Sagradas Escrituras e comporão tropários, hinos e escritos a sua maneira. Seus erros serão dividos entre si e se tornarão alienados ao modelo celestial. Por esta razão os Santos Padres anteriormente encorajaram os monges do deserto a não escrever a vida dos Padres em papel, pois a próxima geração alterará tudo conforme seus gostos pessoais. Vejas, o mal vindouro será terrível.
O discípulo perguntou: Então, as tradições e práticas dos cristãos serão alteradas? Talvez não haverá padres suficientes na Igreja quando este terrível tempo chegar?
E então o padre continuou: Nessa época o amor de Deus na maioria das almas esfriará e uma grande loucura cairá sobre o mundo. Uma nação atacará a outra. Pessoas deixarão seus lares. Os governantes serão confusos.
O clero cairá em anarquia e os monges serão dados à negligência. Os líderes da Igreja tomarão como inútil tudo que é relacionado à salvação, tanto para as suas próprias como as do rebanho. e eles vão desprezar qualquer preocupação com o sagrado.
E irão demonstrar zelo e energia por tudo relacionado às suas mesas de jantar e seus apetites. Eles serão preguiçosos nas orações e casuais em suas críticas. Em relação a vida e ensinamentos dos Santos Padres, eles não demonstrarão qualquer interesse em imitá-los, e nem mesmo de ouvi-los. Mas, ao invés disso, reclamarão e dirão “se estivéssemos vivos naquela época, teríamos vivido daquela maneira.”
E os bispos se renderão aos poderes do mundo, dando respostas para diferentes questões apenas após receber presentes de qualquer um e consultar a lógica dos letrados. Eles não defenderão os direitos dos pobres, atormentarão as viúvas e molestarão as crianças. O escárnio se espalhará entre essas pessoas. Muitos já não acreditarão em Deus, mas odiarão uns aos outros e se devorarão como bestas. Irão roubar uns dos outros, serão bêbados e caminharão como cegos.
O discípulo perguntou: O que nós poderemos fazer, neste caso? E o Ancião Pambo respondeu: Meu filho, nestes tempos todo aquele que desejar salvar sua alma e ajudar a salvar a alma dos outros será chamado grande no Reino dos Céus.
domingo, 25 de janeiro de 2015
Quem puder ajudar. ..
Gente, vou fazer um pedido a vocês:O Instituto do Câncer de Mama está com uma importante campanha.Vamos salvar o site do câncer de mama?Não custa nada.O Site do câncer de mama não tem obtido o número de acessos e cliques necessários para alcançar a cota exigida pelos patrocinadores oferecerem mamografias gratuitas em troca de publicidade. Basta ir ao site e clicar no icone cor-de-rosa que diz 'Campanha da Mamografia Digital Gratuita'. Repassem a pelo menos 10 amigos para que eles repassem a mais 10 ou mais amigos. Esta acao fará uma enorme diferença.
www.cancerdemama.com.br
terça-feira, 23 de dezembro de 2014
Neste Natal vamos pedir ao menino Jesus que nos traga paz, amor, compreensão e acima de tudo saúde. Por tudo de bom que você possa representar... Desejo que Deus esteja sempre no seu caminho... Que os Anjos estejam sempre ao seu redor, que tudo de bom possa te acontecer... Que ao receber este pequeno gesto de carinho, você lembre o quanto é importante para mim... Que as distâncias sejam superadas... Por algo que não se mede, nem pelo tempo, nem pelo espaço... Mas mesmo ao longe nossos pensamentos caminham lado a lado em busca de um novo dia... Um novo amanhã! Portanto, receba o meu eterno abraço bem apertado e saiba que você vai estar sempre aqui no meu coração. UM FELIZ NATAL E PRÓSPERO ANO NOVO.
SÃO OS CORDIAIS VOTOS de HÉLIO MORAES PACÍFICO
segunda-feira, 8 de dezembro de 2014
São Luiz de Montfort: Carta aos Amigos da Cruz
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A) Este nome é grande e glorioso
[3] Chamai-vos Amigos da Cruz. Como é grande esse nome! Confesso-vos que ele me encanta e deslumbra. É mais brilhante que o sol, mais elevado que os céus, mais glorioso e mais pomposo que os títulos mais magníficos dos reis e dos imperadores. É o grande nome de Jesus Cristo, a um tempo verdadeiro Deus e verdadeiro homem; é o nome inequívoco de um cristão.
B) Mas quantas obrigações encerra!
[4] Entretanto, se seu brilho me encata, seu peso não me espanta menos. Quantas obrigações indispensáveis e difíceis contidas neste nome e expressas por estras palavras do Espírito Santo; “Genus electum, regale sacerdotium, gens sancta, populus acquisitionis (4)”!
Um amigo da Cruz é um homem escolhido por Deus, entre dez mil que vivem segundo os sentimentos e a razão, para ser unicamente um homem todo divino e elevado acima da razão, e todo em oposição aos sentimentos, por uma vida e uma luz de pura fé e por um amor ardente pela Cruz.Um Amigo da Cruz é um rei todo poderoso e um herói triunfante do demônio, do mundo e da carne em suas três concupiscências. Pelo amor às humilhações, esmaga o orgulho de Satanás; pelo amor à pobreza, triunfa da avareza do mundo; pelo amor à dor, amortece a sensualidade da carne.
n/d
Um Amigo da Cruz é um homem santo e separado de todo o visível, cujo coração está acima de tudo quanto é caduco e perecível, e cuja conversa está no Céu (5); que passa pela terra como estrangeiro e peregrino; e que, sem lhe dar o coração, a contempla com o olho esquerdo com indiferença, calculando-a com desprezo aos pés (6).
Um Amigo da Cruz é uma ilustre conquista de Jesus Cristo crucificado no Calvário, em união com sua Santa Mãe; é um Benoni ou um Benjamin, filho da dor e da dextra (7), gerando em seu dolorido coração, vindo ao mundo por seu lado direito atravessado e coberto da púrpura de seu sangue. Dada a sua extração sangrenta, só respira cruz, sangue e morte ao mundo, à carne e ao pecado, para estar totalmente oculto, aqui na terra, com Jesus Cristo em Deus (8).
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Enfim, um perfeito Amigo da Cruz é um verdadeiro porta-Cristo, ou antes, um Jesus Cristo, de maneira que possa, em verdade, dizer: “Vivo, jam no ego, vivit vero in me Christus: vivo, mas não eu, é Jesus Cristo que vive em mim”(9)
Exame de consciência sobre essas obrigações.
[5] Sois, por vossas ações, meus queridos Amigos da Cruz, aquilo que vosso grande nome significa? Ou pelo menos, tendes verdadeiro desejo e vontade verdadeira de assim vos tornades, com a graça de Deus, à sombra da Cruz do Cálvário e de Nossa Senhora da Piedade? Entrastes no verdadeiro caminho da vida (10), que é o caminho estreito e espinhoso do Calvário? Não estareis, sem o pensar, no caminho da perdição? Sabeis bem que há um caminho que parece ao homem reto e seguro, e que conduz à morte?
[6] Distinguís bem a voz de Deus e de sua graça da voz do mundo e da natureza? Ouvís bem a voz de Deus, nosso Pai, que, depois de ter dado sua tríplece maldição a todos os que seguem as concupiscências do mundo: vae, vae, vae habitantibus in terra (11), grita-vos amorosamente, estendendo-vos os braços: “Separamini, popule meus”(12). Separai-vos, meu povo escolhido, queridos Amigos da Cruz de meu Filho; separai-vos dos mundanos, malditos por minha Majestade, excomungados por meu Filho (13) e condenados pelo meu Espírito Santo (14). Tomai cuidado para não vos sentardes em sua cadeira toda empestada, não sigais os seus conselhos, nem mesmo pareis em seu caminho (15). Fugi do meio da grande e infame Babilônia (16); não escuteis outra voz e não sigais outras pegadas que não as de meu Filho bem amado, que vos dei para que fosse vosso caminho, vossa verdade, vossa vida (17) e vosso modelo: “Ipsum audite”(18).
Ouvís o amável Jesus, que, carregando sua Cruz, vos grita: “Venite post me: vinde após mim; o que me segue não anda em trevas (19); confidite, ego vici mundum, tende confiança, eu venci o mundo (20)”?
Carta aos Amigos da Cruz – São Luiz de Montfort
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(4) Sois uma raça eleita, um sacerdócio real, uma nação santa, um povo que Deus formou”(I Pedro, 2-9). Estas palavras inspiradas, que caracterizam o povo cristão em sua sublime vocação, Montfort as aplica especialmente a essa elite que seus discípulos devem constituir. “Na literatura espiritual poucas páginas tem tanto brilho quanto aquela em que ele se esforça para definir o que é um Amigo da Cruz”. (Mons. Villepelet, bispo de Nantes”. “Carta de Quaresma”, 1942).
(5) Fil., 3, 20.
(6) Montfort, tal como São Francisco de Assis, tinha um coração apaixonado pela beleza e, em sua gruta de Mervent, cantou deliciosamente a natureza. Não prende, porém, a ela a sua alma: ama-a tão somente na medida em que ela o eleva a una a Deus.
(7) Aplicação de dois nomes dados ao último filho do Patriarca: um por sua mãe Raquel, outro por seu pai Jacó (Gen., 35, 18).
(8) Estais mortos, com efeito, e vossa vida é toda oculta em Deus com Jesus Cristo (Col., 3, 3).
(9) Gal., 2,20.
(10) Prov., 6, 23, 10, 17, 15, 10; Jer., 21, 8.
(11) Maldição, maldição, maldição aos habitantes da terra… (Apoc., 8, 13).
(12) Is., 48, 20; 52, 51; Jer., 50, 8; 51, 6, 9, 45; Apoc., 48, 4.
(13) “Não peço pelo mundo..” (Jo., 17-9)
(14) Ele convencerá o mundo do pecado, da justiça e do julgamento (Jo., 16, 8-12).
(15) Comparai o Salmo 1, 1: “Feliz o homem que não anda segundo o conselho dos maus e que não permanece no caminho dos pecadores, nem se senta nunca no lugar de corrupção”.
(16) Is., 48, 20; Jer., 51, 6.
(17) Jo., 14,6.
(18) Mat., 17, 5; Luc., 9,35; Mrc., 9, 6; II Ped., I, 17.
(19) Jo., 8, 12.
(20) Jo., 16, 33.
Fonte: Dominus Est
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
Ato de Consagração ao Imaculado Coração de Maria para obter a pureza
Oh, Imaculado Coração de Maria, Virgem Puríssima, atenta aos terríveis perigos morais que ameaçam por todos os lados. Ciente da minha própria fraqueza humana, voluntariamente me coloco, de corpo e alma, este dia e para sempre, sob a Vossa solicitude e proteção.
Consagro-Vos o meu corpo, com todos os seus membros, e peço-Vos que me ajudeis a nunca o usar como uma ocasião de pecado para os outros. Ajudai-me a lembrar-me de que o meu corpo é "Templo do Espírito Santo," que devo usar segundo a Santa Vontade de Deus para a minha salvação e a dos outros.
Consagro-Vos a minha alma, e peço-Vos, a Vós e a Jesus, que me guardeis e me leveis com segurança para Casa — que é o Céu — por toda a eternidade.
Oh, Maria, minha Mãe, tudo o que sou, tudo que tenho é Vosso, Guardai-me e conservai-me debaixo do Vosso manto de misericórdia, como coisa e propriedade Vossa.
"Jesus, Maria, eu Vos amo; salvai as Almas!"
sexta-feira, 24 de outubro de 2014
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